A luta pelo voto feminino no Brasil é marcada por um histórico de resistência e misoginia, que remonta a 1891, quando o senador Coelho e Campos declarou que “minha mulher não irá votar”. Com o passar dos anos, discursos machistas continuam a surgir, refletindo uma cultura patriarcal que ainda resiste aos avanços da igualdade de gênero.
Histórico de Atos Misóginos
A rejeição do sufrágio feminino na Constituição de 1891 é um exemplo claro da misoginia institucionalizada. Em 2026, declarações como a do influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou que “mulher vota estatisticamente mal”, evidenciam a continuidade dessa mentalidade. Segundo especialistas, esses discursos não são apenas desatualizados, mas representam uma reação ao progresso das mulheres na sociedade.
O Voto Feminino: Uma Conquista Necessária
A professora Fernanda Abreu, da UERN, ressalta que a conquista do voto feminino foi resultado de uma luta constante contra a resistência social e estatal. “Direitos não se mantêm sozinhos, exigem uma luta permanente”, afirma. Ela destaca que qualquer tentativa de questionar o voto feminino fere a Constituição Federal de 1988, que garante o sufrágio universal.
Desafios Atuais e Contexto Sociopolítico
Cibele Tenório, da Universidade de Brasília, observa que a persistência de ataques ao voto feminino indica um machismo estrutural que não surpreende, embora seja inaceitável. Com mais de 53% do eleitorado brasileiro composto por mulheres, as tentativas de deslegitimar seu voto revelam uma estratégia de intimidação política, conforme aponta a professora Hildete Pereira, da UFF.
O Papel das Sufragistas na Luta por Direitos
A luta pelo sufrágio feminino não foi isolada, mas parte de um movimento mais amplo por direitos civis e sociais. Desde a fundação do Partido Republicano Feminino em 1910 até as marchas organizadas por sufragistas, as mulheres sempre buscaram visibilidade e voz na política. Bertha Lutz e Leolinda Daltro foram figuras centrais nesse processo, enfrentando resistência com coragem e estratégia.
Legislação e Avanços
O Decreto 21.076 de 1932 representou um marco, garantindo o direito de voto para as mulheres e estabelecendo um sistema eleitoral mais inclusivo. Com isso, o Brasil se tornou um dos primeiros países do Ocidente a reconhecer o sufrágio feminino. No entanto, a luta não terminou com a conquista do voto, pois as mulheres ainda enfrentam desafios, como a desigualdade salarial e a sub-representação política.
O Futuro da Participação Feminina
As especialistas concordam que o Brasil precisa reafirmar seu compromisso com os direitos políticos das mulheres, investindo em educação e campanhas informativas. A dependência financeira e a cultura patriarcal ainda são barreiras que precisam ser superadas. “Essas mulheres que lutaram por direitos no passado nos ensinam a importância da participação e da resiliência”, conclui Hildete Pereira, enfatizando a necessidade de continuar a luta por igualdade e inclusão.






