Você sabe quanto da sua renda já está comprometida?
No artigo anterior, falamos sobre uma situação comum: uma compra parece caber no bolso porque a parcela é pequena.
Mas existe uma pergunta que pode ser ainda mais importante:
Quanto da sua renda já está comprometido antes mesmo de o mês começar?
Imagine alguém que recebe R$ 3.000 por mês.
Tem uma prestação de R$ 400 do carro, R$ 250 do cartão, R$ 200 de um eletrodoméstico e mais R$ 150 de um empréstimo.
Separadamente, nenhuma dessas parcelas parece assustadora.
Juntas, representam R$ 1.000 por mês.
Ou seja: um terço da renda já está comprometido com dívidas.
E ainda existem aluguel, alimentação, transporte, energia, água, telefone e outras despesas.
O problema não aparece quando fazemos a compra
Essa é uma das armadilhas do crédito.
Quando compramos, recebemos imediatamente o produto ou o dinheiro.
A conta, porém, fica para depois.
E quando várias decisões tomadas separadamente chegam ao mesmo orçamento, o que parecia administrável pode começar a apertar.
O Banco Central acompanha justamente essa relação entre crédito e renda. Em seu Relatório de Cidadania Financeira, o BC apontou que, em dezembro de 2024, o comprometimento médio da renda com operações de crédito com juros era de 24,7% entre os tomadores considerados na análise.
Isso não significa que exista um percentual único que determine se uma pessoa está ou não endividada.
Significa que olhar para o conjunto das dívidas é fundamental.
Crédito não é renda
Essa talvez seja uma das ideias mais importantes da educação financeira.
Se o banco libera R$ 10 mil de crédito, você não ficou R$ 10 mil mais rico.
Você recebeu acesso a um recurso que deverá ser devolvido com custos (juros).
Por isso, antes de contratar crédito, o Banco Central recomenda observar o custo da operação e comparar alternativas. O Custo Efetivo Total (CET) reúne juros, tarifas, impostos e outros encargos e permite comparar diferentes propostas.
A pergunta, então, não deveria ser apenas:
“O banco aprovou?”
Mas:
“Eu consigo pagar?”
E mais:
“Quanto isso vai custar no total?”
Uma pequena mudança de hábito
Antes de assumir uma nova parcela, some todas as prestações que você já possui.
Depois, olhe para sua renda líquida.
E não esqueça das despesas que não aparecem como “parcelas”, mas também precisam ser pagas.
Pode parecer uma conta simples.
E é.
Mas muitas vezes são justamente as contas simples que evitam decisões financeiras complicadas.
Porque o problema não é necessariamente comprar a prazo.
O problema é comprometer hoje uma renda que ainda precisaremos amanhã.
Informação também é investimento.
Josué Benedito — Além da Notícia.
@josue.benedito.consultoria







