Democracia não é só votar: o que acontece entre uma eleição e outra?
O primeiro turno das eleições passou. Agora, o Brasil se prepara para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
Durante semanas, ouvimos propostas, acompanhamos debates, vimos campanhas, discutimos política em casa, no trabalho e nas redes sociais. E, diante de uma urna eletrônica, cada eleitor fez — ou fará — uma escolha.
Mas existe uma pergunta que merece ser feita depois de toda essa movimentação: O que acontece com a nossa democracia quando a eleição termina?
É comum associarmos democracia ao ato de votar. E não há nada de errado nisso. O voto é uma das principais formas pelas quais a população exerce sua soberania. A Constituição Federal estabelece que todo o poder emana do povo e que a soberania popular também é exercida pelo voto direto e secreto.
Mas democracia é maior do que a urna.
Ela também está na possibilidade de acompanhar aquilo que os governos fazem, conhecer os direitos que temos, cobrar políticas públicas, fiscalizar a utilização dos recursos públicos e participar dos espaços em que decisões que afetam a sociedade são discutidas.
Em outras palavras: o cidadão não deixa de ser cidadão quando sai da seção eleitoral.
A própria Justiça Eleitoral vem tratando o eleitor como um dos principais atores do processo democrático. Em 2026, o Tribunal Superior Eleitoral criou uma resolução específica para reunir direitos, deveres e orientações relacionadas à participação do eleitor no processo eleitoral. A iniciativa reforça uma ideia importante: exercer cidadania exige informação.
E essa participação não precisa acontecer somente em Brasília. Ela também está na nossa cidade.
Quando um morador acompanha uma audiência pública, participa de um conselho municipal, procura informações sobre uma obra, questiona uma política pública, acompanha o trabalho dos representantes eleitos ou simplesmente procura entender como funciona o orçamento público, está exercendo uma forma de cidadania.
Isso também vale para quem discorda do governo.
Em uma democracia, acompanhar e fiscalizar não significa necessariamente apoiar ou rejeitar. Significa prestar atenção.
Talvez essa seja uma das partes mais importantes — e menos lembradas — da democracia: depois de escolher nossos representantes, precisamos continuar interessados no que eles fazem.
Afinal, se durante a campanha perguntamos aos candidatos quais são suas propostas, por que não deveríamos perguntar, depois da eleição, quais delas foram realizadas?
Se queremos melhores serviços públicos, não basta esperar que alguém resolva. É preciso compreender como as políticas são construídas, quanto custam, quem é responsável por executá-las e quais resultados estão sendo alcançados.
Democracia também exige essa disposição para participar.
E talvez aqui esteja uma reflexão importante para este segundo turno: a democracia não depende de todos escolherem o mesmo candidato. Ela depende de existirem condições para que pessoas diferentes possam fazer suas escolhas e continuar participando da vida pública.
Podemos votar de maneiras diferentes. Podemos concordar ou discordar. Podemos mudar de opinião. Podemos cobrar quem recebeu nosso voto e também quem não recebeu.
O que não deveria mudar é a nossa responsabilidade como cidadãos.
Porque a eleição termina.
A cidadania, não.
O voto dura alguns segundos. A democracia é construída todos os dias — nas instituições, nas comunidades, nas discussões e também nas escolhas que fazemos depois que as urnas se fecham.
Antes do voto, vem a informação.
Depois do voto, vem a cidadania.
Josué Benedito — Além da Notícia
@josue.benedito.consultoria







