Um novo estudo revela uma realidade preocupante no cenário político brasileiro: seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez negras já relataram ter sido vítimas de violência política. A pesquisa, que ouviu mais de 70 parlamentares, foi divulgada pela Rede A Ponte e destaca que a Câmara Municipal é o local mais comum para essas agressões, representando 77% dos casos.
Violência política de gênero e raça
O relatório intitulado “Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal” ressalta que, apesar da promulgação da Lei 14.192/2021, que visa proteger os direitos políticos das mulheres, os casos de violência persistem, principalmente perpetrados por homens brancos cisgêneros. Surpreendentemente, 80% dos agressores se encaixam nesse perfil. A pesquisa também revela que 64% das agressões ocorrem durante o exercício do mandato.
A gravidade das agressões
Entre os tipos de violência relatados, 89% das vereadoras enfrentaram agressões psicológicas, como interrupções de fala e humilhações. Além disso, 82% relataram ter sofrido violência simbólica, que inclui a exclusão de espaços de poder. A violência moral também é alarmante, com 59% das vítimas enfrentando calúnias e difamações. Ataques à identidade, condição e raça foram mencionados em 30% dos relatos, descredibilizando mulheres com base em características étnicas ou de gênero.
Impacto da violência na política
O estudo aponta que a violência política contra mulheres abrange diversas esferas, incluindo a econômica, com cortes de recursos partidários, e a processual, que envolve denúncias infundadas para desgastar a imagem das parlamentares. Além disso, assédio sexual e violência física, incluindo ameaças de feminicídio, foram mencionados como preocupações sérias.
Abandono e falta de apoio
Amanda de Albuquerque, diretora-executiva da Rede A Ponte, destacou que, ao ingressar na política, as mulheres frequentemente se sentem abandonadas por seus partidos. O relatório indica que, dos 44 casos de violência de gênero e raça registrados, apenas 12 resultaram em denúncias formais, sem encaminhamentos efetivos à Justiça. Isso resulta em um esvaziamento da diversidade e prejudica a representatividade no legislativo.
Desafios enfrentados pelas vereadoras
As vereadoras que participaram da pesquisa expressaram que muitos de seus colegas e partidos tentam invisibilizá-las. A naturalização da violência no espaço político é um problema que deve ser combatido, já que leva muitas mulheres a desistirem da carreira política. Nas redes sociais, elas frequentemente enfrentam comentários misóginos e LGBTQIA+fóbicos, que afetam sua saúde mental e dificultam sua permanência na política.
Dados alarmantes do TSE
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas 18,2% das cadeiras nas câmaras municipais são ocupadas por mulheres. Além disso, 734 municípios não elegeram nenhuma mulher nas últimas eleições. As mulheres negras, que representam 28% da população, ocupam apenas 7,5% das cadeiras legislativas municipais, e as mulheres indígenas estão ainda mais sub-representadas, com apenas 39 eleitas em 2024.
O cenário retratado pelo relatório é um chamado à ação, destacando a importância da imprensa em abordar a violência política como um problema público e fortalecer o controle social. A visibilidade dessa questão é crucial para promover mudanças e garantir a participação equitativa das mulheres na política brasileira.






