–:–:–
Conecte-se conosco
,

ALÉM DA NOTÍCIA — ESPECIAL ELEIÇÕES 2026

Antes do voto, vem a informação. Quem cuida do quê? Entenda por que União, Estados e Municípios importam na hora de votar Imagine que você esteja esperando atendimento em uma unidade de saúde e ele demore. Ou que a escola…

35 visualizações

Antes do voto, vem a informação.

Quem cuida do quê? Entenda por que União, Estados e Municípios importam na hora de votar

Imagine que você esteja esperando atendimento em uma unidade de saúde e ele demore.

Ou que a escola do seu filho precise de melhorias.

Ou que uma estrada esteja cheia de buracos.

Ou que a segurança do seu bairro esteja preocupando os moradores.

A pergunta aparece quase automaticamente:

“Quem vai resolver isso?”

E, muitas vezes, vem uma segunda pergunta:

“Em quem devemos votar para mudar essa situação?”

Mas existe uma pergunta anterior que pode ser ainda mais importante:

De quem é essa responsabilidade?

Essa é uma das perguntas que todo eleitor deveria aprender a fazer.

E não é tão simples quanto parece.

O Brasil não tem um único governo

Quando falamos em “governo”, muitas vezes pensamos em Brasília ou no presidente da República.

Mas o Estado brasileiro é organizado de maneira muito mais ampla.

A Constituição estabelece que a organização político-administrativa do Brasil compreende União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos autônomos dentro das regras constitucionais.

Na prática, isso significa que existem diferentes níveis de governo, com responsabilidades próprias.

Temos o governo federal.

Temos os governos estaduais.

E temos os governos municipais.

Cada um possui suas próprias estruturas, autoridades, leis, orçamento e competências.

E entender essa divisão pode mudar completamente a maneira como avaliamos uma promessa eleitoral.

O presidente não administra tudo

Imagine que um candidato à Presidência prometa resolver determinado problema que depende diretamente da administração municipal.

Essa promessa merece atenção.

Não necessariamente porque seja ruim.

Mas porque precisamos perguntar:

O presidente tem competência para resolver isso sozinho?

A resposta, muitas vezes, será não.

O mesmo vale para governadores e parlamentares.

Um governador não pode simplesmente determinar tudo aquilo que acontece dentro de cada município.

Um deputado estadual não administra diretamente uma escola municipal.

Um deputado federal não é responsável pela gestão cotidiana de uma unidade básica de saúde.

E um senador não ocupa um cargo executivo.

Isso não significa que esses representantes não possam influenciar políticas públicas.

Podem — e muito.

Mas influenciar, legislar, fiscalizar, financiar e executar são coisas diferentes.

É justamente aí que começa a nossa educação para a cidadania.

Mas e quando a responsabilidade é de todos?

Aqui a situação fica ainda mais interessante.

Existem políticas públicas que não pertencem exclusivamente a um único nível de governo.

A Constituição estabelece, por exemplo, que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios cuidar da saúde e da assistência pública, entre outras atribuições.

Isso explica por que algumas políticas públicas são construídas por meio de cooperação entre governos.

Um município pode executar determinado serviço.

O Estado pode participar do financiamento ou oferecer serviços de maior complexidade.

A União pode estabelecer políticas nacionais, transferir recursos e definir regras gerais.

Não significa que todos façam exatamente a mesma coisa.

Significa que a solução de determinados problemas depende da atuação coordenada de diferentes governos.

E isso acontece diariamente, muitas vezes sem que o cidadão perceba.

Então quem devemos cobrar?

Essa talvez seja a parte mais importante.

Se um problema acontece na cidade, não significa automaticamente que a responsabilidade seja do prefeito.

Da mesma maneira, se existe um problema no Estado, não significa que o governador seja responsável por tudo.

E, quando algo acontece no país, não significa que a solução esteja exclusivamente nas mãos do presidente.

Antes de cobrar, precisamos descobrir qual é a competência de cada autoridade.

E aqui podemos recuperar a pergunta que abriu a nossa primeira coluna:

Você sabe exatamente o que está escolhendo?

Escolher um deputado é diferente de escolher um governador.

Escolher um senador é diferente de escolher o presidente.

Cada cargo existe dentro de uma estrutura institucional.

Cada autoridade possui poderes e limites.

Isso também muda a maneira de analisar uma promessa

Imagine que um candidato diga:

“Vou construir um hospital.”

A primeira reação pode ser:

“Excelente!”

Mas o eleitor informado pode e deve fazer algumas perguntas.

Onde será construído?

Quem será responsável pela obra?

Quem vai financiar?

O governo daquele candidato tem competência para executar o projeto?

Existe orçamento?

Depois de construído, quem vai manter o hospital?

Perceba que não estamos dizendo que a promessa é boa ou ruim.

Estamos fazendo algo muito mais importante: estamos tentando descobrir se ela é viável.

Administração Pública também é assunto nosso

Talvez você nunca tenha estudado Administração Pública.

Mas não é preciso ser especialista para entender seus princípios básicos.

Quando o governo arrecada dinheiro, faz um orçamento, contrata servidores, constrói uma escola, compra medicamentos, pavimenta uma rua ou oferece um serviço público, está administrando recursos que pertencem à sociedade.

Por isso, conhecer minimamente como o Estado funciona não é assunto apenas para políticos, servidores públicos ou estudantes de Administração.

É assunto para todos nós.

Afinal, somos nós que financiamos o Estado por meio dos tributos.

Somos nós que utilizamos os serviços públicos.

E somos nós que escolhemos, pelo voto, parte das pessoas que tomarão decisões em nosso nome.

A pergunta que fica

Na próxima vez que você ouvir uma promessa eleitoral, experimente não perguntar imediatamente:

“Gostei ou não gostei?”

Pergunte primeiro:

“Quem tem competência para fazer isso?”

Depois:

“Quanto vai custar?”

E, finalmente:

“Quem vai pagar?”

São três perguntas simples.

Mas elas podem nos ajudar a sair de uma política baseada apenas em promessas e entrar em uma política baseada em responsabilidade, planejamento e resultados.

Nas próximas colunas, vamos continuar essa caminhada.

Vamos entender o que realmente faz um deputado estadual, depois um deputado federal, um senador, um governador e o presidente.

Porque, antes de escolher pessoas, precisamos conhecer as funções que elas ocuparão.

E, antes de cobrar resultados, precisamos saber quem é responsável por produzi-los.

Antes do voto, vem à informação.

Josué Benedito

Além da Notícia

Mais em Entretenimento

Ver tudo →