Antes do voto, vem a informação.
Deputado estadual: você sabe o que está escolhendo?
Na última coluna, falamos sobre uma pergunta que deveria acompanhar todo eleitor durante a campanha:
Quem cuida do quê?
Agora vamos começar a conhecer, um por um, os cargos que estarão na urna em outubro.
E começamos pelo deputado estadual.
Pode parecer estranho, mas existe uma boa chance de você conhecer o nome de vários candidatos e ainda não saber exatamente o que um deputado estadual faz.
E isso importa.
Muito.
O deputado estadual não é prefeito
O deputado estadual trabalha na Assembleia Legislativa do Estado.
Em São Paulo, por exemplo, é na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — a Alesp — que os deputados estaduais exercem suas funções.
Seu trabalho é principalmente legislar e fiscalizar.
Isso significa participar da elaboração e aprovação de leis estaduais, discutir o orçamento do Estado e fiscalizar a atuação do governador e da administração estadual. A Constituição estabelece o mandato de quatro anos para os deputados estaduais.
Mas atenção: deputado estadual não é prefeito e não administra diretamente a cidade.
Ele não é responsável pela manutenção da praça do seu bairro, pela coleta de lixo da sua rua ou pela administração de uma escola municipal.
Essas diferenças são importantes porque ajudam a avaliar melhor as promessas de campanha.
Então o que um deputado estadual pode fazer?
Imagine que um candidato diga:
“Vou melhorar a segurança pública.”
É uma proposta importante.
Mas a pergunta do eleitor informado deve ser:
Como?
O deputado estadual pode apresentar e votar leis dentro da competência estadual, fiscalizar o governo e atuar politicamente na discussão de políticas públicas.
Mas quem administra diretamente a Polícia Militar e a Polícia Civil no Estado é o Poder Executivo estadual, sob responsabilidade do governador.
Percebe a diferença?
Legislar e fiscalizar não é a mesma coisa que executar.
Essa distinção vale para muitas outras áreas.
E o voto?
Em 2026, o voto para deputado estadual será o segundo voto na urna, depois do deputado federal.
E existe outra informação importante: deputado estadual é eleito pelo sistema proporcional. Isso significa que a distribuição das cadeiras leva em consideração os votos recebidos pelos partidos e federações, além da votação dos candidatos.
Por isso, escolher um deputado estadual não é simplesmente escolher uma pessoa.
É também escolher uma representação política dentro da Assembleia Legislativa.
Antes de votar, faça três perguntas:
Quando encontrar um candidato a deputado estadual, experimente perguntar:
1. Ele conhece os problemas do Estado?
2. Suas propostas estão dentro das atribuições de um deputado?
3. Como pretende exercer seu papel de legislador e fiscalizador?
Não precisamos concordar com todos os candidatos.
Precisamos entender o que eles podem fazer.
Porque o voto consciente começa quando deixamos de perguntar apenas:
“Eu gosto desse candidato?”
E passamos a perguntar:
“Ele está preparado para exercer a função para a qual estou votando?”
Na próxima coluna, vamos falar sobre deputado federal — e descobrir por que ele não é simplesmente uma versão “federal” do deputado estadual.
Antes do voto, vem à informação.
Josué Benedito
Além da Notícia







