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Evangélicos rejeitam política em igrejas, aponta pesquisa Iser/Quaest

Levantamento nacional detalha a relação entre fé, valores morais e eleições, revelando o impacto da polarização nas comunidades religiosas.

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Evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam uso eleitoral de igrejas

Apesar de estarem no centro das articulações para as próximas eleições, a maioria dos cristãos no país desaprova a transformação de templos em palanques políticos ou orientações de voto por parte de líderes religiosos.

Pesquisa Nacional sobre Religião O levantamento nacional Religião e Vida Pública no Brasil, conduzido pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria, mapeou esse cenário por meio de 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios brasileiros, abrangendo todas as capitais. A margem de erro é de 1%.

Os dados mostram que 83% dos entrevistados reprovam a indicação de voto por sacerdotes, 82% rejeitam debates políticos durante cultos ou missas, e 90% se opõem a campanhas eleitorais dentro de espaços sagrados.

“O voto deveria ser do cidadão e não da religião”, afirma o pastor Lucas Oliveira, 30 anos, que atua em uma igreja batista de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Mediação Digital e Valores A ausência de palanque nos templos não significa distanciamento da política, mas uma mudança na forma de influência. Para a pesquisadora Lívia Reis, do Iser, o fenômeno ocorre através da formação de valores e identidades.

“É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos”, aponta a especialista, destacando que as redes sociais e aplicativos de mensagens assumiram esse papel de articulação.

Consequências da Polarização A politização excessiva dos templos, intensificada em pleitos recentes, gerou traumas e divisões profundas nas comunidades locais, afastando fiéis que hoje evitam o tema para preservar a harmonia interna das congregações.

“Conheço pastor que lá em 2018 estava fervorosamente apoiando candidaturas, mas que hoje não quer nem tocar nesse assunto, quer esquecer que um dia fez campanha política. Porque com isso ele perdeu um número expresso [de fiéis] da igreja. E o número não volta. Eu recebi muita gente. Nesse período, eu dialoguei com muita gente que estava machucada. Então, a igreja hoje, quando o assunto é política, se tornou um lugar de pessoas machucadas”, relata o pastor Lucas.

Contexto Histórico e Pluralidade A resistência ao uso partidário da fé encontra respaldo na tradição protestante de defesa da liberdade de consciência e na separação institucional entre o Estado e as instituições religiosas, valores destacados por lideranças como o pastor Moisés Blanco, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.

“Essa consciência faz parte da gênese da maioria dos protestantes, da maioria dos evangélicos”, afirma. Blanco reforça que o legado histórico combate a unificação de poderes e a imposição de agendas específicas. “Era a luta contra o absolutismo, contra justamente essa unificação de Estado e rei e uma religião que era reflexo do próprio Estado”, conclui.

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