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Manifesto alerta para riscos no serviço público antes do 2º turno

Dezenas de entidades representativas cobram valorização e criticam propostas que ameaçam a estabilidade da categoria.

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Entidades divulgam manifesto pela valorização do serviço público

Às vésperas da definição do segundo turno das eleições gerais, dezenas de associações e sindicatos de servidores públicos federais uniram forças para lançar um manifesto contundente. O documento alerta a população sobre os riscos e os impactos de projetos políticos distintos que disputam o futuro do país no próximo domingo (25).

Projetos de Estado em confronto

Segundo as instituições signatárias, o pleito coloca em rota de colisão duas visões opostas para a máquina estatal: uma de esquerda e outra de direita. Para o funcionalismo, o resultado nas urnas será determinante para definir não apenas o panorama econômico, mas também as garantias trabalhistas e o destino da administração pública brasileira.

Publicado na última terça-feira (20), o texto aponta que o retorno de pautas ligadas a reformas administrativas pode desestruturar o setor. Sob o pretexto de modernização, tais medidas ameaçam a estabilidade funcional, fomentam a precarização dos vínculos empregatícios e reduzem a autonomia técnica do Poder Público.

“A estabilidade não é privilégio corporativo: constitui uma garantia institucional contra pressões políticas e econômicas. É uma condição para que o servidor exerça suas atribuições em defesa do interesse público.”

O alerta da crise na Argentina

O manifesto também volta os olhos para o cenário internacional, direcionando duras críticas à condução econômica do presidente argentino, Javier Milei. Um decreto recente assinado pelo governo vizinho instituiu um plano de demissão voluntária que pode atingir 21 mil trabalhadores estatais. Desde o início de 2023, a gestão de Milei já eliminou 77 mil postos no serviço estatal argentino.

“A experiência argentina sob a gestão de Javier Milei – marcada por severas medidas de ajuste, cortes no setor público e redução de estruturas estatais – oferece um alerta sobre os custos sociais e institucionais de políticas dessa natureza.”

Riscos fiscais e negociação coletiva

As entidades que representam setores vitais do Estado apontam ameaças concretas como congelamentos salariais, dificuldades para a contratação de novos profissionais e desligamentos em massa. Tais iniciativas, comumente atreladas a ajustes fiscais rígidos, colocam em risco a entrega de serviços essenciais aos cidadãos.

“Não se trata apenas de discutir remunerações, mas de preservar carreiras, conhecimento técnico e capacidade de resposta do Estado às necessidades da população.”

Além disso, o documento enfatiza que a liberdade sindical e o direito à negociação coletiva são pilares inegociáveis. Para as associações, barreiras ao diálogo e investidas contra a representação de classe enfraquecem a capacidade de solucionar conflitos laborais de forma pacífica e estruturada.

Comparativo entre gestões e direitos sociais

A carta faz um contraponto direto entre os modelos administrativos recentes. De um lado, aponta que o ciclo anterior foi marcado por forte assédio institucional, congelamento salarial e propostas regressivas. De outro, reconhece que o governo atual reabriu canais de diálogo, retomou mesas de negociação e concedeu reajustes para repor perdas históricas do funcionalismo federal.

“O período atual, por sua vez, restabeleceu canais de diálogo e negociação, retomou reajustes e reconheceu a importância dos servidores para o funcionamento do Estado. Embora persistam desafios, a diferença entre esses modelos é concreta: de um lado, a redução de estruturas e a compressão de direitos; de outro, a reconstrução da interlocução institucional e a recuperação, ainda parcial, da valorização do serviço público.”

Por fim, as entidades alertam que cortes orçamentários em áreas sociais podem desestruturar políticas vitais de transferência de renda, saúde, habitação e educação, reforçando que a defesa do funcionalismo está intrinsecamente ligada à preservação da própria democracia brasileira.

“Neste momento decisivo, as entidades signatárias reafirmam seu compromisso com um Estado democrático, eficiente, socialmente responsável e capaz de assegurar direitos. A sociedade e os servidores públicos precisam avaliar com atenção as propostas em debate e suas consequências de longo prazo. O futuro do serviço público não é uma questão corporativa: é uma escolha sobre o país que queremos construir.”

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