Em um forte clamor por proteção e reconhecimento, treze mulheres indígenas de diferentes etnias da Amazônia lançaram um manifesto impactante durante o TEDxAmazônia, realizado pela primeira vez fora do Brasil, nas cidades equatorianas de Banos e Puyos. A líder do grupo, Catalina Chumpi, anciã do povo Shuar, invocou a força das águas para fortalecer suas “netas” na luta pela defesa de seus territórios.
Um chamado à ação
O evento, que ocorreu entre os dias 27 e 30 de agosto, teve como tema central a urgência de proteger as terras amazônicas e os povos que nelas habitam. Domingos Peas, líder indígena do povo Shuar, pediu um minuto de silêncio em homenagem aos defensores da natureza que perderam a vida em decorrência de sua luta. Um relatório da Global Witness revela que a América Latina é o continente com o maior número de assassinatos de defensores ambientais, sendo os líderes indígenas os mais afetados.
O papel fundamental das comunidades indígenas
Diversas palestrantes, incluindo Patricia Gualinga, do povo Kichwa, enfatizaram a importância de reconhecer as populações locais como essenciais para a preservação da Amazônia. Gualinga defendeu a incorporação da cosmovisão indígena, que vê a natureza como um sujeito com direitos próprios, e não apenas como uma fonte de recursos. “A selva viva tem memória e alma”, destacou, reforçando que os melhores cuidados com o meio ambiente estão nos territórios indígenas.
Reconhecimento legal e desafios práticos
Em 2008, o Equador fez história ao se tornar o primeiro país a reconhecer os direitos da natureza em sua Constituição. Essa mudança paradigmática permitiu a proibição da mineração na Floresta Los Cedros em 2024, uma decisão que prioriza os direitos da natureza. No entanto, Gualinga alertou que a aplicação desses direitos ainda enfrenta grandes desafios, exigindo políticas públicas eficazes e transformações profundas na economia global.
Governança e recursos para a conservação
Diana Chavez, diretora do Fundo do Biocorredor Amazônico, pediu maior participação dos povos indígenas na gestão de fundos destinados à conservação. Segundo ela, menos de 1% do financiamento global para ações climáticas chega diretamente a essas comunidades. “A consulta não é suficiente; precisamos que os indígenas estejam na mesa de decisão”, afirmou.
Iniciativas comunitárias e o futuro da Amazônia
Esthela Noteno, uma administradora Kichwa, compartilhou sua experiência de como sua comunidade tem se reerguido através da produção de guayusa, uma planta nativa da Amazônia. Com a criação de uma agroindústria comunitária, sua família começou a produzir extratos de guayusa, envolvendo outras mulheres indígenas e promovendo o cultivo sustentável.
Conexão com a natureza
Noteno acredita que a relação dos povos indígenas com a floresta é fundamental para a sua conservação. “A agricultura não é inimiga da natureza; ela é parte do nosso modo de viver”, afirmou, ressaltando a importância de incentivar práticas que valorizem a biodiversidade e a cultura local.
O futuro do TEDxAmazônia
A primeira edição do TEDxAmazônia fora do Brasil, realizada em Banos e Puyos, reforçou a importância da Amazônia como um patrimônio compartilhado entre diferentes países. O organizador Rodrigo Cunha destacou a urgência da situação atual, alertando que estamos em um ponto crítico para a preservação da floresta.
O evento, que reuniu 30 palestrantes, também planeja continuar seu revezamento entre países, com a próxima edição marcada para Belém (PA) em junho do próximo ano. Essa iniciativa visa manter viva a mensagem de urgência e colaboração na luta pela Amazônia.






