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ALÉM DA NOTÍCIA

ESPECIAL ELEIÇÕES 2026 Antes do voto, vem a informação. Você sabe o que vai escolher nas eleições de outubro? Imagine a cena. É domingo, 4 de outubro. Você entra na sua seção eleitoral, confirma seus dados, vai até a cabine…

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ESPECIAL ELEIÇÕES 2026

Antes do voto, vem a informação. Você sabe o que vai escolher nas eleições de outubro? Imagine a cena. É domingo, 4 de outubro. Você entra na sua seção eleitoral, confirma seus dados, vai até a cabine e encontra a urna eletrônica. Talvez já tenha escolhido alguns candidatos. Talvez ainda esteja pesquisando. Talvez tenha recebido dezenas de vídeos e mensagens nas redes sociais dizendo em quem votar — ou em quem não votar. Então você olha para a tela. Primeiro aparece um cargo. Depois, outro. E outro. No total, serão seis escolhas. Você sabe quais são? Nas Eleições Gerais de 2026, o eleitor escolherá deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.

O primeiro turno acontece em 4 de outubro e, se houver segundo turno para presidente ou governador, a votação será em 25 de outubro. Seis votos. Seis funções. Seis responsabilidades. E talvez aqui esteja uma das questões mais importantes desta eleição: Será que sabemos exatamente o que estamos escolhendo? É comum ouvirmos frases como “vou votar em alguém que vai melhorar a saúde”, “quero um candidato que resolva a segurança” ou “esse candidato vai mudar o Brasil”. São desejos legítimos. Mas existe uma pergunta que deveria vir antes: Esse cargo tem competência para fazer aquilo que o candidato está prometendo? Um deputado federal não exerce a mesma função de um deputado estadual. Um senador não exerce a mesma função de um governador. E o presidente da República não administra o país sozinho.

O Brasil possui uma estrutura formada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Cada ente possui competências próprias e muitas políticas públicas dependem da atuação conjunta entre diferentes níveis de governo. Por isso, diante de uma promessa eleitoral, vale fazer uma pergunta simples: quem, dentro da estrutura do Estado, pode realmente fazer isso? Parece uma pergunta burocrática. Na verdade, é uma pergunta de cidadania.

Comecemos pelos deputados O deputado federal atua na Câmara dos Deputados, no âmbito do Poder Legislativo federal. Participa da elaboração das leis, da discussão de matérias orçamentárias e da fiscalização do Poder Executivo, entre outras atribuições. O deputado estadual atua na Assembleia Legislativa do Estado, participando da elaboração das leis estaduais e da fiscalização do Executivo estadual. Por que precisamos de dois votos diferentes? Porque o Brasil não é administrado por uma única estrutura de governo.

Existem assuntos que pertencem à União, outros aos Estados e outros aos Municípios. Há também situações em que os diferentes níveis de governo precisam trabalhar juntos. Depois vêm os dois votos para o Senado. O Senado Federal representa os Estados e o Distrito Federal. Cada unidade da Federação possui três senadores, com mandato de oito anos.

Em 2026, duas das três cadeiras de cada Estado estarão em disputa, por isso cada eleitor terá dois votos para o Senado. Depois escolheremos governador e presidente. O governador exerce o Poder Executivo estadual. O presidente exerce a chefia do Poder Executivo federal. E aqui aparece uma confusão importante: imaginar que um governante pode simplesmente determinar tudo aquilo que considera necessário. Não pode. Governantes administram dentro de competências, leis, orçamento, estruturas administrativas e limites institucionais.

Uma boa intenção não elimina uma restrição legal. Uma promessa popular não cria dinheiro no orçamento. É justamente por isso que conhecer um pouco de Administração Pública também é uma forma de exercer cidadania. A Administração Pública está presente quando usamos um serviço público, quando uma escola é administrada, quando uma unidade de saúde recebe recursos, quando uma estrada é construída ou quando o governo realiza um investimento. Ela está na nossa vida todos os dias.

Antes de acreditar em uma promessa, faça três perguntas Daqui para frente, proponho um pequeno exercício. Quando um candidato apresentar uma proposta, pergunte: 1. Quem tem competência para fazer isso? 2. Quanto isso vai custar? 3. De onde virá o dinheiro?

São perguntas simples, mas poderosas. Uma promessa pode ser necessária, desejável e até urgente. Mas precisamos saber quem pode realizá-la, quanto custará e como será financiada.

Nas próximas semanas, vamos conversar sobre o que realmente fazem deputados, senadores, governadores e o presidente. Vamos entender União, Estados e Municípios, orçamento público, impostos, planejamento, responsabilidade fiscal e políticas públicas. Não para descobrir em quem votar. Mas para entender o que estamos escolhendo. Porque o voto é uma decisão. E decisões melhores dependem de informação. Antes do voto, vem à informação.

Josué Benedito

Instagram: @josue.benedito.consultoria

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