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COP17: Novo adiamento no acordo global de combate às secas

A 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, Mongólia, está prestes a concluir sem um acordo significativo para a criação de um regime global voltado ao enfrentamento de secas, um problema crescente em várias…

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COP17 caminha para novo adiamento de acordo de combate às secas

A 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, Mongólia, está prestes a concluir sem um acordo significativo para a criação de um regime global voltado ao enfrentamento de secas, um problema crescente em várias regiões do mundo.

Expectativas frustradas na conferência

Apesar de algumas declarações otimistas por parte de autoridades, a realidade é que um grupo de países, liderados pelos Estados Unidos e pela União Europeia, já deixou claro que não haverá consenso sobre o tema. Na prática, isso significa que as discussões sobre um regime voltado ao combate às secas serão adiadas para a próxima conferência, prevista para 2028, possivelmente no Egito. O Brasil, que apoia a criação desse regime, reconhece a dificuldade de alcançar um consenso neste momento.

Divisões geopolíticas e financeiras

Os impasses que cercam a conferência não se limitam ao tema das secas, mas também envolvem questões financeiras e geopolíticas. Os países desenvolvidos estão relutantes em se comprometer com acordos obrigatórios de financiamento, preferindo uma adesão voluntária. A União Europeia, por exemplo, hesita em assumir maiores responsabilidades financeiras, especialmente diante de crises de seca em seu próprio território.

Enquanto isso, países africanos, que historicamente enfrentam os impactos da desertificação, clamam por um mecanismo multilateral eficaz para lidar com as secas. Eles defendem que a cooperação internacional é essencial para que os países mais vulneráveis possam se preparar e se recuperar de eventos climáticos extremos.

Uma nova abordagem para as secas

Especialistas, como Daniel Tsegai, coordenador do grupo de trabalho sobre secas da UNCCD, destacam que a abordagem atual de tratar a seca como um desastre imprevisível é ultrapassada. Para ele, é essencial que os países implementem políticas permanentes que visem a prevenção e a gestão de riscos, ao invés de apenas reagir quando os eventos extremos já ocorrerem.

Tsegai enfatiza que a seca já não é um problema exclusivo do setor agrícola, mas uma questão sistêmica que impacta diversos setores, incluindo transporte e saúde. A interconexão global significa que eventos climáticos em uma região podem afetar economias em outras partes do mundo.

Iniciativas paralelas em meio à incerteza

Embora o futuro do regime global de combate às secas seja incerto, iniciativas paralelas estão progredindo durante a COP17. A Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca, por exemplo, está criando um fundo para ajudar 70 países em desenvolvimento a se adaptarem ao fenômeno. A Arábia Saudita já comprometeu US$ 150 milhões para esta causa.

Outra iniciativa importante é o Fundo de Investimento para Resiliência à Seca, criado pela UNCCD em parceria com o governo de Luxemburgo, que visa mobilizar até US$ 400 milhões em capital público e privado para enfrentar as secas.

Fase 2 do Observatório Internacional de Resiliência à Seca

Durante a COP17, também foi apresentada a Fase 2 do Observatório Internacional de Resiliência à Seca, uma plataforma que visa melhorar a capacidade dos países de monitorar e planejar ações contra as secas. Com base no Índice de Resiliência à Seca, a plataforma oferece recursos para ajudar na identificação de vulnerabilidades e na formulação de políticas mais eficazes.

Conclusão e perspectivas futuras

A COP17 se aproxima do fim, mas as expectativas de um acordo abrangente para o combate às secas permanecem incertas. Embora haja uma pressão crescente por parte da sociedade civil e de especialistas para que os governos tratem esta questão de forma mais urgente, as divisões geopolíticas e financeiras ainda representam um desafio significativo. O futuro do combate às secas dependerá de uma colaboração internacional robusta e de um compromisso real com a ação preventiva.

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