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Além da Notícia – Finanças e Atualidades

Parcelar é sempre uma boa ideia? Você entra em uma loja, encontra o produto que queria e descobre que pode pagar em 10 ou 12 vezes. A primeira pergunta costuma ser: “Quanto fica a parcela?” Talvez a pergunta mais importante…

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Parcelar é sempre uma boa ideia?

Você entra em uma loja, encontra o produto que queria e descobre que pode pagar em 10 ou 12 vezes.

A primeira pergunta costuma ser: “Quanto fica a parcela?”

Talvez a pergunta mais importante seja outra:

“Quanto vou pagar no total?”

Essa diferença parece pequena, mas pode mudar completamente uma decisão financeira.

A parcela cabe no bolso. Mas a compra cabe no orçamento?

Imagine um produto que custa R$ 1.000 à vista.

O vendedor oferece uma opção de 10 parcelas de R$ 120.

A parcela parece acessível. Mas, ao final, você terá pago R$ 1.200.

Não há nada de errado em parcelar. O problema começa quando olhamos apenas para o valor mensal e esquecemos o custo total da decisão.

E isso vale para uma televisão, um celular, um eletrodoméstico, um financiamento ou qualquer outra compra a prazo.

A pergunta não deveria ser apenas “quanto cabe por mês?”, mas também “quanto essa escolha vai me custar?”.

O problema das pequenas parcelas

Existe outro detalhe que merece atenção.

Uma parcela de R$ 100 pode parecer pequena.

Duas também.

Três, talvez.

Mas quando somamos várias compras feitas ao mesmo tempo, elas podem consumir uma parte significativa da renda mensal.

É assim que uma pessoa pode chegar ao final do mês com a sensação de que “não comprou nada demais”, mas sem dinheiro disponível para uma emergência.

O mesmo raciocínio vale para uma empresa.

Uma pequena prestação pode parecer perfeitamente administrável. Mas várias obrigações vencendo em datas próximas podem comprometer o caixa e dificultar o pagamento de fornecedores, salários, impostos e outras despesas.

O problema não é necessariamente a parcela. É o conjunto delas.

E o que isso tem a ver com os juros?

Tem tudo a ver com o que discutimos no primeiro artigo desta série.

Quando os juros estão elevados, o custo do crédito tende a ser maior. E isso afeta tanto famílias quanto empresas.

Por isso, antes de contratar crédito, é importante olhar não apenas a taxa anunciada, mas o Custo Efetivo Total (CET), que permite conhecer melhor o custo da operação de crédito.

No fim, crédito não é dinheiro “extra”.

É dinheiro antecipado que será pago depois — normalmente com um custo.

Uma pergunta simples pode evitar muitos problemas

Antes de parcelar, experimente fazer três perguntas:

  1. Quanto vou pagar no total?
  2. Quanto da minha renda já está comprometida com outras parcelas?
  3. Se acontecer uma emergência amanhã, ainda terei margem financeira?

Não precisamos deixar de consumir. Precisamos aprender a consumir com informação.

Porque, assim como vimos no caso das grandes empresas, vender ou comprar não é o mesmo que ter dinheiro disponível.

E talvez essa seja uma das maiores lições da educação financeira: não é porque uma parcela cabe no bolso que a dívida cabe na vida.

Josué Benedito — Além da Notícia.

Informação também é investimento.

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